Como usar IA para revisar sua oferta sem perder a sua voz
Dan Mark Printes
6 min de leitura
Muita gente que vende curso ou produto digital já fez o mesmo teste: colou a página de vendas numa ferramenta de IA e pediu "melhore isso". O que volta costuma ser um texto mais longo, mais cheio de adjetivos e, curiosamente, com cara de qualquer outra página da internet. A oferta ficou mais "bonita" e menos sua.
Eu vejo IA como uma ferramenta excelente para revisar oferta. Mas revisar é diferente de reescrever. Neste artigo, quero mostrar como eu penso esse uso: a IA aponta, questiona e sugere; quem decide é você. É assim que a sua voz continua na página.
O problema não é a IA, é o pedido
Quando o pedido é "melhore", a ferramenta não sabe o que é melhor para o seu negócio. Ela não conhece o seu público, não sabe o que você já tentou e não sabe quais promessas você pode cumprir. Então ela faz a média: deixa o texto parecido com o que é comum.
O caminho é trocar o pedido genérico por perguntas específicas. Em vez de pedir um texto novo, peça uma leitura crítica do texto que você já tem. Em produto digital, a pergunta certa quase sempre vale mais do que a resposta pronta.
Separe a oferta do texto que a apresenta
Antes de abrir qualquer ferramenta, escreva a sua oferta em poucas linhas, sem copy. Só os fatos:
- o que a pessoa recebe;
- para quem é, e para quem não é;
- qual problema o produto ajuda a resolver;
- preço, forma de pagamento e condições;
- garantia e suporte, exatamente como você oferece hoje.
Esse resumo é o seu contrato. A IA pode sugerir mil formas de apresentar a oferta, mas não pode mudar nada dessa lista. Se uma sugestão promete algo que não está ali, ela está errada, por mais bem escrita que seja.
Esse passo também ajuda você. Muitas vezes, ao escrever a oferta sem enfeite, fica claro que a página nunca disse com clareza para quem o produto é.
Use a IA como leitora, não como autora
A forma mais útil que encontrei de usar IA numa oferta é pedir que ela leia a página como um visitante leria. Alguns pedidos que funcionam bem:
- "Leia esta página como alguém que nunca ouviu falar de mim. O que você entendeu que está sendo vendido?"
- "Quais dúvidas uma pessoa teria antes de comprar, e quais delas a página não responde?"
- "Onde o texto promete algo que o resumo da oferta não sustenta?"
- "Quais frases são vagas demais para alguém tomar uma decisão?"
Repare que nenhum desses pedidos gera um texto novo. Eles geram uma lista de observações. Você lê, concorda com algumas, discorda de outras e decide o que mudar. A autoria continua sua.
Dê à IA o seu jeito de falar
Quando chegar a hora de pedir sugestões de texto, entregue antes alguns exemplos de como você fala. Pode ser um trecho de aula, uma resposta que você deu a um aluno, um e-mail que você gostou de ter escrito. Junto com isso, diga o que você não usa: gírias que não são suas, promessas exageradas, pontos de exclamação em excesso.
Com esse contexto, peça poucas alternativas para um trecho específico, e não para a página inteira. Uma headline, um parágrafo de apresentação, o texto de um botão. Trechos pequenos são mais fáceis de julgar e mais fáceis de ajustar para o seu tom.
Uma regra que eu sigo: se eu não falaria aquela frase em voz alta para um aluno, ela não entra na página.
Um exemplo fictício
Para deixar concreto, veja um exemplo fictício, criado só para ilustrar. O produto e as frases são inventados.
Imagine um curso de fotografia com celular para pequenos negócios. O resumo da oferta diz: aulas gravadas, foco em fotos de produto para redes sociais, para quem não tem câmera profissional, com suporte por e-mail.
A página original abre com:
Original (fictício): Transforme suas fotos e conquiste o sucesso nas redes
Pedindo uma leitura crítica, a IA aponta que "sucesso" não diz nada concreto e que a página não deixa claro que o curso usa só o celular. A sugestão de reescrita que vem a seguir, já orientada pelo jeito de falar do autor, fica assim:
Revisado (fictício): Fotos de produto bonitas usando só o celular que você já tem
Note o que aconteceu: a promessa ficou menor e mais clara, não maior. A IA não inventou resultado nem prazo. Ela ajudou a dizer melhor o que a oferta já era.
Os limites que você não pode terceirizar
Algumas decisões são suas e de mais ninguém:
- Promessa. Só entra na página o que você consegue cumprir. A IA não sabe disso, você sabe.
- Fatos. Números, depoimentos e casos precisam ser reais. Se a ferramenta sugerir algo do tipo, troque por um espaço para você preencher com o que existe de verdade, ou corte.
- Preço e condições. Mudança de preço é decisão de negócio, não de texto.
- Tom. Uma página que soa como outra pessoa pode até parecer profissional, mas afasta quem gostava de você justamente pelo seu jeito.
Revisar com IA não tira de você a responsabilidade pelo que está escrito. Tira o trabalho braçal de achar onde o texto está fraco.
Da revisão para o teste
Mesmo com uma boa revisão, existe um limite: você continua opinando sobre o próprio texto. A forma honesta de saber se uma versão revisada funciona melhor é colocá-la diante de visitantes reais e comparar com a versão atual.
Por isso eu gosto de tratar cada sugestão relevante da IA como uma hipótese, não como uma verdade. "Acho que deixar claro que é só com celular ajuda a pessoa certa a se reconhecer." Isso é algo que um teste A/B pode responder, desde que você mude uma coisa de cada vez e mantenha a oferta igual nas duas versões.
Onde a Crowthy entra
Foi pensando nesse fluxo que construímos a Crowthy. A IA analisa a sua landing page e propõe o que testar e as variações. Você revisa, ajusta e aprova antes de qualquer coisa ir ao ar. Depois, o teste A/B compara a versão atual com a variação usando as vendas que chegam das plataformas de pagamento. Nada muda na sua página sem a sua aprovação.
Para levar daqui
- Escreva a oferta sem copy antes de pedir qualquer coisa à IA.
- Peça leitura crítica antes de pedir texto novo.
- Dê exemplos de como você fala e peça alternativas para trechos pequenos.
- Não deixe a ferramenta decidir promessa, fatos, preço ou tom.
- Trate as melhores sugestões como hipóteses e teste antes de trocar de vez.
A IA é uma ótima revisora. A voz da sua oferta continua sendo a sua.
Dan é CPO da Lua Vision e empreendedor digital à frente de produtos como a Crowthy e a Meelion. Tem mais de 20 anos construindo produtos digitais no Brasil, com passagens pela liderança de produto em empresas como Catho, Grupo Zap e unico. Pai de gêmeos, é um nerd apaixonado por games, RPG e jogos de tabuleiro ameritrash. Aqui ele escreve sobre negócios, tecnologia e IA aplicada ao dia a dia de quem vende online.
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